Senti falta do bizarro. Do surreal. Do maluco, mesmo. Ainda mais por ser um filme do Tim Burton. Para você ter uma ideia, o desenho da Disney lá de 1951 era muito mais lisérgico, despirocado e nonsense. E acho que era isso que eu esperava encontrar bem lá no fundo (da toca do coelho).
O problema é todo da história, que agora segue linear como qualquer aventura convencional, onde cada personagem tem função e lado definido. No filme anterior da mesma Disney, tudo era muito episódico, e sem muito sentido (tal qual o livro de Lewis Carroll). O Gato Risonho surgia como um galhofeiro fdp, capaz de sacanear a Alice até mesmo no seu terrível julgamento final. O Chapeleiro era louco mesmo, e não apenas uma alma amargurada com motivos de sobra para escorregar pelo viés da insanidade. E os outros personagens também surgiam banhados na mais saudável irracionalidade. Agora tudo se resume à básica luta do bem contra o mal.
Mesmo não gostando muito da antiga versão Disney, que penso ter cantorias demais, devo confessar que ela é bem mais interessante do que a visualmente bela e virtualmente oca versão do Burton. Faltou delírio para um cineasta sempre tão associado a tais arroubos.
(Alice In Wonderland – 2010) – Trailer
Direção: Tim Burton
Roteiro: Linda Wolverton
Elenco: Johnny Depp, Helena Bonham-Carter, Anne Hathaway, Mia Wasilkowska, Crispin Glover, Alan Rickman, Stephen Fry, Michael Sheen
Tags: 3D, Alice, Anne Hathaway, chapeleiro, Disney, gato risonho, Helena Bonham-Carter, Johnny Depp, Lewis Carroll, Mia Wasilkowska, Tim Burton, Wonderland
